A Casa de Câmara e Cadeia de Pitangui ou Museu Histórico de Pitangui é um edifício histórico localizado no município de Pitangui, em Minas Gerais, tombado pelo IPHAN em 1959.

Histórico Datado do século XVIII, o imóvel é um dos poucos remanescentes desta época em Pitangui. Sua construção deveu-se ao fato de que, como em outras vilas mineiras, a câmara de vereadores não dispunha de sede própria, e tampouco havia cadeia pública, o que levava a improvisações. Com o desenvolvimento de Pitangui como centro de extração de ouro (condição que perduraria até o século XIX), tornou-se necessário um edifício que abrigasse ambas as instituições. Na década de 1980, o edifício abrigou a prefeitura municipal de Pitangui. A partir de 2008, funcionou como Museu Sacro e sede do Arquivo Judicial. Em março de 2018, foi anunciado que passaria a abrigar o Instituto Histórico de Pitangui, após reforma.

Características O casarão possui dois pavimentos e apresenta características de edificações semelhantes construídas no século XVIII. No andar térreo, onde funcionava a cadeia, há seis portas de madeira e as janelas são gradeadas. No andar superior, que abrigava a câmara, seis porta-sacadas encimam cada porta do pavimento térreo.

A vila de Pitangui A Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui foi criada em 6 de fevereiro de 1715 pelo governador da Capitania das Minas, Brás Baltazar da Silveira, e instalada em 9 de junho do mesmo ano, tornando-se um dos núcleos mais antigos da região central de Minas Gerais. O povoamento surgiu do ciclo do ouro, cujas primeiras descobertas na área ocorreram no morro do Batatal, atraindo bandeirantes e mineradores. A fundação do povoado é atribuída à bandeira de Domingos Rodrigues do Prado, e a abundância de ouro manteve Pitangui como próspero centro de extração até o século XIX, então um dos municípios de maior área e riqueza de Minas. Foi a própria população local que requereu ao governador a elevação do arraial à condição de vila e, com ela, a instalação de uma casa de câmara e cadeia, de modo a trazer ordem administrativa e judicial à região. O topônimo Pitangui, de origem tupi, significa "rio vermelho"; o antigo arraial foi elevado à categoria de cidade em 1855, conservando até hoje parte de seu casario colonial.

Tipologia e construção As casas de câmara e cadeia eram edifícios típicos da administração colonial portuguesa, que reuniam num mesmo sobrado duas funções distintas: a câmara dos vereadores, no pavimento superior, e a cadeia pública, no térreo, reunindo num só edifício os símbolos do poder local. Em Pitangui, durante muitos anos a câmara reuniu-se em edifícios provisórios — por vezes na casa de um dos vereadores —, e a cadeia funcionou em locais precários, sem condições de segurança, até que o desenvolvimento da vila justificou a construção de uma sede própria. O sobrado remanescente apresenta vedações em taipa e estrutura de madeira aparente, técnica corrente nas construções setecentistas da região. Edifícios desse tipo costumavam ocupar posição de destaque na paisagem urbana das vilas coloniais mineiras, como sede visível da autoridade régia e municipal.

Tombamento A Casa de Câmara e Cadeia foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1959, por meio do processo no 596-T-1959, com inscrição no Livro do Tombo das Belas Artes sob o no 449, em 4 de agosto de 1959. Situado na rua José Gonçalves, o casarão é apontado pelo arquiteto Sylvio de Vasconcellos como um exemplar típico das casas de câmara e cadeia setecentistas de Minas Gerais. O imóvel é também conhecido como Paço Municipal de Pitangui.

Referências

Ligações externas «Museu Histórico de Pitangui». Prefeitura Municipal de Pitangui. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de março de 2026