A Renaissance Technologies LLC (também conhecida como RenTec ou RenTech) é um fundo de cobertura (hedge fund) americano com sede em East Setauket, Nova Iorque, em Long Island, especializado em negociação sistemática usando modelos quantitativos derivados de análises matemáticas e estatísticas. A Renaissance foi fundada em 1982 por James Simons, um matemático que trabalhou como decifrador de códigos durante a Guerra Fria. Em 1988, a empresa estabeleceu o Fundo Medallion (Medallion Fund), baseado em modelos matemáticos de Leonard E. Baum, expandidos pelo algebrista James Ax, para explorar correlações das quais a empresa pudesse lucrar. O fundo de cobertura foi batizado de Medallion em homenagem aos prêmios de matemática que Simons e Ax haviam recebido. Simons dirigiu a Renaissance até sua aposentadoria no final de 2009. Ele continuou a desempenhar um papel na empresa como presidente não-executivo até 2021. Ele manteve investimentos em seus fundos, particularmente no fundo Medallion, até sua morte em 2024. A empresa agora é administrada por Peter Brown (após a renúncia de Robert Mercer). Ambos eram cientistas da computação especializados em linguística computacional que ingressaram na Renaissance em 1993, vindos da IBM Research. O fundo possuía US$ 165 bilhões em ativos discricionários sob gestão (incluindo alavancagem) em abril de 2021.

Vida acadêmica e pesquisa James Simons fundou a Renaissance Technologies após passar uma década como Chefe do Departamento de Matemática na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook. Simons, em 1976, foi o ganhador do Prêmio Oswald Veblen de Geometria da Sociedade Americana de Matemática. Ele é conhecido na comunidade científica por ser o co-desenvolvedor da Teoria de Chern-Simons, que é usada na física teórica moderna.

Negociação quantitativa A empresa utiliza o trading quantitativo (negociação quantitativa), no qual a equipe aproveita dados armazenados em seu armazém de dados de escala petabyte para avaliar probabilidades estatísticas para a direção dos preços de títulos financeiros em qualquer mercado. A equipe atribui esse sucesso à amplitude dos dados relacionados a eventos periféricos aos fenômenos financeiros e econômicos levados em consideração pela Renaissance, e à capacidade da empresa de manipular grandes volumes de dados através de arquiteturas tecnológicas escaláveis para computação e execução. O fundo de cobertura da Renaissance Technologies utiliza modelos matemáticos para analisar e executar operações, muitas delas automatizadas. A empresa usa modelos computacionais para prever mudanças de preços em instrumentos financeiros com alta liquidez. Esses modelos baseiam-se na análise do maior volume possível de dados coletados, buscando movimentos não aleatórios para fazer previsões. Alguns também atribuem o desempenho da empresa ao uso de técnicas de processamento de sinais financeiros, como o reconhecimento de padrões. O livro The Quants descreve a contratação de especialistas em reconhecimento de fala, muitos deles provenientes da IBM, incluindo os atuais líderes da empresa.

"Quants" com formação não financeira A Renaissance emprega especialistas com formações não financeiras, incluindo cientistas da computação, matemáticos, físicos, especialistas em processamento de sinais e estatísticos. O fundo mais recente da empresa é o Renaissance Institutional Equities Fund (RIEF). O RIEF tem historicamente acompanhado de trás o fundo mais famoso da empresa, o Medallion, um fundo separado que contém apenas dinheiro pessoal dos executivos da empresa. A Renaissance é uma empresa administrada por e para cientistas, empregando pessoas com históricos não financeiros para pesquisas em finanças quantitativas, como matemáticos, estatísticos, físicos teóricos e experimentais, astrônomos e cientistas da computação. Segundo uma reportagem no The New York Times, "a experiência em Wall Street é vista com maus olhos e a aptidão para a ciência é supervalorizada". Um ex-funcionário especulou que a "mentalidade de rebanho" entre os formados em escolas de negócios é a culpada pelos baixos retornos aos investidores nessas instituições tradicionais. A Renaissance mantém cerca de 150 pesquisadores e programadores, metade dos quais possuem doutorado em disciplinas científicas, em seu campus de 50 acres em East Setauket em Long Island, próximo à SUNY Stony Brook. O matemático Isadore Singer se referiu ao escritório da Renaissance em East Setauket como o melhor departamento de física e matemática do mundo. As funções administrativas e de retaguarda (*back-office*) da empresa são tratadas em seu escritório de Manhattan, na cidade de Nova Iorque. A empresa é discreta sobre o funcionamento dos seus negócios e muito pouco se sabe sobre eles. A firma é conhecida pela baixa rotatividade de pessoal e por exigir que seus pesquisadores concordem com obrigações de propriedade intelectual, assinando acordos de não concorrência e de não divulgação (NDAs).

Monemetrics Em 1978, Simons deixou a vida acadêmica e iniciou uma empresa de gestão de fundos multimercado chamada Monemetrics, num pequeno centro comercial em Long Island. A empresa negociava principalmente moedas no início. A princípio, não ocorreu a Simons aplicar a matemática a seus negócios, mas gradualmente ele percebeu que deveria ser possível criar modelos matemáticos com os dados que coletava. O nome da Monemetrics foi alterado para Renaissance Technologies em 1982. Simons começou a recrutar alguns dos matemáticos e especialistas em modelagem de dados da sua época no Instituto de Análises de Defesa (IDA) e na Universidade de Stony Brook. O seu primeiro recruta foi Leonard E. Baum, um criptoanalista do IDA que também era coautor do algoritmo de Baum-Welch. Quando Baum abandonou a ideia de negociar com modelos matemáticos e passou a utilizar a análise fundamentalista, Simons trouxe o algebrista James Ax, da Universidade de Cornell. Ax expandiu os modelos de Baum, aplicados à negociação de moedas, para abranger qualquer futuro de commodities, e posteriormente Simons criou para Ax a sua própria conta de negociação, a Axcom Ltd., que acabou dando origem ao lucrativo fundo Medallion. Durante a década de 1980, Ax e os seus pesquisadores aprimoraram os modelos de Baum e os usaram para explorar correlações das quais poderiam lucrar.

Fundo Medallion

"De 2001 a 2013, o pior ano do fundo foi um ganho de 21%, após deduzir as taxas. O Medallion obteve um ganho de 98,2% em 2008, o ano em que o Índice Standard & Poor's 500 perdeu 38,5%."

Em 1988, a Renaissance estabeleceu o seu fundo mais lucrativo, o fundo Medallion (anteriormente chamado de fundo Limroy Colombian), o qual usava uma forma expandida de modelos matemáticos de Leonard E. Baum, melhorados pelo algebrista James Ax, para explorar correlações. Simons e Ax, que haviam sido colegas de classe na UC Berkeley, iniciaram o Medallion, que batizaram em homenagem aos seus prêmios em matemática. O sucesso inicial dos modelos da empresa levou Simons a basear integralmente as transações do fundo em tais modelos. Porém, em abril de 1989 as perdas do pico ao vale (drawdown) chegaram a quase 30%. Ax alegou ter considerado tal declínio em seus modelos e insistiu em continuar operando. Simons queria pausar e reavaliar; Simons, sendo o proprietário majoritário, prevaleceu e Ax deixou a empresa. Em seguida, Simons convidou o professor da Universidade de Berkeley, Elwyn Berlekamp, para comandar o Medallion. Consultor da Axcom que Simons conhecera originalmente no IDA, Berlekamp adquiriu a maior parte da participação de Ax na Axcom e tornou-se seu CEO. Ele trabalhou com Sandor Straus, Jim Simons e outro consultor, Henry Laufer, para reformular o sistema de negociação do Medallion ao longo de seis meses. Em 1990, Berlekamp levou o Medallion a um ganho de 55,9%, líquido de taxas, e então retornou a seus deveres como professor de Berkeley, vendendo sua parte para Simons a um valor seis vezes maior do que havia pago por seus interesses na Axcom, dezesseis meses antes. Straus assumiu o lugar de Berlekamp administrando o sistema renovado de negociação do Medallion, o qual retornou 39,4% em 1991, 34% em 1992 e 39,1% em 1993, de acordo com os relatórios anuais do fundo. O fundo Medallion é considerado um dos fundos multimercado de maior sucesso de todos os tempos. De 1994 até meados de 2014, ele teve em média um retorno anual de 71,8%, antes da cobrança das taxas. O fundo tem estado fechado para investidores de fora desde 1993 e está disponível apenas para funcionários atuais e passados e as suas famílias. A firma comprou as cotas do último investidor não-funcionário do fundo Medallion em 2005 e, desde então, a comunidade de investidores não tem acesso aos seus retornos. Dos cerca de 275 funcionários da Renaissance, em torno de 100 são considerados "compradores qualificados", o que significa que eles geralmente possuem ao menos US$ 5 milhões em ativos para investir. Os demais são "investidores credenciados", geralmente com patrimônio de ao menos US$ 1 milhão.

"Desde 1988, seu principal fundo, o Medallion, gerou retornos médios anuais de 66% antes da cobrança de polpudas taxas a seus investidores — 39% após as taxas — acumulando ganhos com negociações superiores a US$ 100 bilhões. Ninguém no mundo dos investimentos chega perto disso. Warren Buffett, George Soros, Peter Lynch, Steve Cohen e Ray Dalio ficam todos aquém."

Em 2000, o fundo Medallion, movido por computadores, tinha um retorno médio anual de 34% após as taxas, desde a sua fundação em 1988. Simons geriu a Renaissance até se aposentar no final de 2009. Entre janeiro de 1993 e abril de 2005, o Medallion teve apenas 17 meses de perdas e, em 49 trimestres durante o mesmo período, registrou prejuízo em apenas três deles. Entre 1989 e 2005, o Medallion teve apenas um ano apresentando prejuízo: 1989. Durante 2020, o fundo Medallion teve um salto de 76%.

Medallion como fundo de pensão "[A Renaissance] obteve permissão do [Departamento do Trabalho] para colocar fatias do Medallion em contas tipo Roth IRA. Isso significa que nunca haverá impostos sobre os lucros futuros de um fundo que obteve média de retorno anual de 71,8%, antes das taxas, desde 1994 até meados de 2014."

A Renaissance Technologies encerrou o seu plano de aposentadoria 401(k) em 2010 e os saldos das contas dos funcionários foram transferidos para Contas Individuais de Aposentadoria (IRAs). Contribuições podiam ser feitas em contas de Aposentadoria Individual comuns e posteriormente convertidas para um plano tipo Roth IRA, independentemente do rendimento do funcionário. Até 2012, a Renaissance havia obtido uma isenção especial concedida pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, permitindo que seus empregados investissem suas economias de aposentadoria no Medallion, com o argumento de que o fundo rotineiramente superava seu antigo plano 401(k). Em 2013, os planos IRA da Renaissance tinham 259 participantes cujas contribuições de US$ 86,6 milhões cresceram para US$ 153 milhões naquele mesmo ano, sem incidência de taxas ou impostos anuais. A Renaissance estabeleceu um novo plano 401(k), e em novembro de 2014 o Departamento do Trabalho permitiu que esse plano também fosse investido no fundo Medallion.

Renaissance Institutional Equities Fund (RIEF) Em 2005, o fundo Renaissance Institutional Equities Fund (RIEF) foi criado. O RIEF historicamente obteve retornos mais baixos do que o afamado fundo Medallion da empresa, que é um fundo segregado destinado apenas para o dinheiro pessoal dos executivos. Em abril de 2020, a revista Institutional Investor noticiou que a discrepância de performance entre o fundo Medallion e outros fundos da empresa, incluindo o RIEF, era de aproximadamente 17 a 19%. A Renaissance também oferta a terceiros dois fundos da linha Renaissance Institutional Diversified Alpha (RIDA). Simons dirigiu a Renaissance até a sua aposentadoria no final de 2009. O Renaissance Institutional Equities Fund enfrentou dificuldades no ambiente de maior volatilidade que persistiu durante o fim do verão de 2007. Segundo uma matéria na Bloomberg em agosto de 2007,

"O Fundo de Ações Institucionais da Renaissance (RIEF), de US$ 29 bilhões, liderado por James Simons, caiu 8,7% em agosto de 2007, quando seus modelos de computadores utilizados para comprar e vender ações foram sobrecarregados pelas oscilações nos preços dos títulos. O fundo de cobertura quantitativo (ou 'quant'), que tinha dois anos de existência, caiu 7,4% naquele ano. Simons afirmou que outros fundos foram forçados a vender posições, causando um curto-circuito em modelos estatísticos baseados nas interrelações entre os papéis."

O RIEF voltou a enfrentar dificuldades no ambiente de altíssima volatilidade de 2020. Segundo uma matéria na Bloomberg em novembro de 2020,

A Renaissance viu uma queda de aproximadamente 20% até outubro em seu fundo com viés de compra, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. O fundo neutro ao mercado da empresa de US$ 75 bilhões recuou em torno de 27% e seu fundo global de ações perdeu aproximadamente 25%... A empresa, fundada pelo ex-decifrador de códigos Jim Simons, informou aos investidores que suas perdas se devem à falta de proteção adequada (subprotegido) durante o colapso de março e, em seguida, por proteção excessiva (superprotegido) na recuperação entre os meses de abril a junho. Isso ocorreu porque os modelos "supercompensaram" o transtorno inicial. "Não é surpresa que os nossos fundos, que dependem de modelos treinados com base em dados históricos, apresentem desempenhos anormais (seja para o bem, seja para o mal) em um ano que é tudo menos normal sob a ótica dos padrões históricos", relatou a Renaissance a clientes através de uma carta datada de setembro, vista pela Bloomberg.

De 1o de dezembro de 2020 a 1o de fevereiro de 2021, ainda de acordo com a Bloomberg, os clientes (LPs) sacaram US$ 5 bilhões dos fundos. No dia 25 de setembro de 2008, a Renaissance elaborou uma carta de comentários direcionada à Securities and Exchange Commission (SEC), encorajando-os a não aplicar uma mudança em certas regras que permitiriam ao público o acesso às informações de investidores institucionais a respeito de suas posições vendidas (short), da mesma maneira que eles atualmente acessam informações sobre posições compradas (long). A empresa argumentou por diversos motivos, incluindo o fato de que "investidores institucionais podem alterar sua atividade de negociação para evitar a divulgação ao público".

Assuntos governamentais

Investigação de elisão fiscal em 2014 Em julho de 2014, a Renaissance Technologies foi incluída em uma investigação maior, levada a cabo por Carl Levin e pelo Subcomitê Permanente de Investigações, sobre a evasão fiscal de pessoas ricas. O foco da investigação de elisão fiscal foi a estratégia de negociação da Renaissance — que envolvia transações bancárias com o Barclays Plc e o Deutsche Bank AG — através das quais os lucros oriundos de negociações rápidas se transformavam em impostos substancialmente menores de ganhos de capital de longo prazo. A estratégia também fora alvo de questionamento pelo Internal Revenue Service (IRS). As alíquotas maiores em relação aos cinco anos sob investigação teriam sido de 44,4%, comparado com 35%; em contraste, a alíquota tributária menor foi fixada em 15%, comparada aos 23,8%.

O IRS argumentou que o acordo que o fundo Medallion mantinha com os bancos, onde o fundo detinha os contratos de opções, ao invés dos ativos subjacentes financeiros diretos, consistia num subterfúgio, e os investidores do fundo deviam os pagamentos relativos aos impostos da maior alíquota. Pelo fato do Medallion poder declarar que possuía apenas um único tipo de ativo – a opção – e segurá-lo no portfólio por mais de um ano, os investidores poderiam reportar estes lucros como investimentos de longo-prazo.

Em setembro de 2021, Simons, Mercer e outros executivos da Renaissance aceitaram pagar até US$ 7 bilhões em impostos e penalidades como acordo pelo litígio com o IRS. O acordo está entre os maiores da história.

Contribuições de campanha De acordo com o portal OpenSecrets, a Renaissance foi a empresa financeira que mais contribuiu para campanhas federais no ciclo eleitoral de 2016, doando US$ 33.108.000 até o mês de julho. A título de comparação, ao longo deste mesmo período a empresa da sexta posição, a Soros Fund Management, contribuiu com a quantia de US$ 13.238.551. Os administradores e gerentes da Renaissance também foram bastante ativos na eleição de 2016, repassando o total em doações de US$ 30 milhões até junho, com Mercer constando no ranque como o indivíduo n.o 1 a contribuir em âmbito federal (a maior parte do valor direcionado aos Republicanos) e Simons listado no quinto lugar (doando a maior parte aos Democratas). Eles constaram entre os maiores doadores dos fundos para a disputa presidencial de Hillary Clinton e Donald Trump. Ao decorrer das eleições americanas de 2016, Simons doou US$ 26.277.450 e constou como o 5.o maior contribuidor individual. Simons direcionou todos os seus valores com a isenção de US$ 25 mil, rumo a apoiar candidatos liberais. Robert Mercer forneceu US$ 25.059.300 em dinheiro e alcançou o posto como o 7.o maior doador independente. Robert Mercer injetou a integralidade das doações fornecidas à corrida governamental em candidatos conservadores. Entre o período datado de 1990 a 2016, os trabalhadores sob a batuta da Renaissance transferiram aos cofres de campanhas políticas de origem federal US$ 59.081.152, e em dados atualizados após 2001, empregaram no segmento focado em lobby US$ 3.730.000.

Ver também Negociação de alta frequência Negociação algorítmica

Referências