A Myrica rubra, vulgarmente conhecida como yangmei, morango-chinês ou yumberry, é uma árvore de folha persistente pertencente à família Myricaceae. Nativa do leste da Ásia, especialmente do centro e sul da China, esta espécie tem sido cultivada há mais de 2.000 anos, possuindo um profundo valor cultural, económico e medicinal na região.
Características botânicas e habitat A árvore atinge habitualmente alturas entre os 10 e os 20 metros, apresentando uma copa esférica ou hemisférica uniforme e uma casca cinzenta e lisa. As suas folhas são coriáceas, de formato elíptico-obovado a lanceolado, com margens frequentemente serrilhadas na metade superior. Sendo uma espécie dioica, a Myrica rubra requer a presença de exemplares masculinos e femininos para a polinização e consequente produção de frutos. O fruto, tecnicamente uma drupa e não uma baga, é esférico, com cerca de 1,5 a 2,5 cm de diâmetro, e possui uma superfície rugosa composta por inúmeras protuberâncias papilares suculentas. A sua coloração varia entre o vermelho brilhante e um púrpura quase negro, sendo que as variedades mais escuras são geralmente apreciadas pelo seu sabor mais doce.
Utilização culinária e valor nutricional O sabor do yangmei é frequentemente descrito como uma combinação complexa de morango, framboesa e romã, apresentando um equilíbrio entre o doce e o ácido. Devido à sua natureza extremamente perecível, o fruto é tradicionalmente consumido fresco pouco após a colheita, ou preservado através de diversos métodos:
Processamento: É comum encontrar o fruto seco, cristalizado, em conserva ou transformado em sumos e bebidas alcoólicas, como o vinho de yangmei. Composição: É uma fonte rica em antocianinas, vitamina C, selénio e diversos flavonoides, o que lhe confere propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias significativas.
Propriedades medicinais Na medicina tradicional chinesa, a Myrica rubra é utilizada para auxiliar a digestão e tratar problemas gástricos. Estudos científicos modernos têm explorado extratos da casca e do fruto, como a miricetina, pelo seu potencial em bloquear recetores de endotelina, o que poderá ter aplicações no tratamento de doenças cardiovasculares e hipertensão. Além disso, a planta é valorizada pela sua capacidade de fixar azoto no solo através de simbiose com actinomicetos do género Frankia, o que permite o seu desenvolvimento em solos pobres e contribui para a recuperação ecológica.
Referências