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Clube teria novo Conselho Gestor presido pelo próprio presidente para direcionar trabalho de executivos, dando vim às vice-presidências

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Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
O Conselho Deliberativo do Flamengo vota nesta terça-feira, 18h30, uma emenda do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, para alterar o estatuto na direção de uma prometida profissionalização sem volta do clube. A questão é que, para conselheiros que são contrários à proposta, o que vai acontecer na verdade é uma maior concentração de poder nas mãos do mandatário, que já centraliza quase tudo. A proposta prevê a criação de um novo Conselho Gestor presidido por Bap para fiscalizar e vetar decisões do diretor geral do clube, Paulo Dutra, e o diretor de futebol, José Boto. O que ele, na prática, já faz.
Quem questiona o Texto Substitutivo elaborado pela Comissão Permanente de Estatuto a partir da proposta de Bap entende também que o Conselho Gestor vai suprimir os poderes dos Conselhos Deliberativo e de Administração, ficando acima dos mesmos. Como tem maioria de apoiadores nestes conselhos hoje, Bap deve fazer as mudanças sugeridas para alterar o estatuto, que é de 1992, em vez de se fazer um estatuto do zero, como alguns preferem e sugerem. Conselheiros se mobilizam para protestar, com troca de mensagens nas redes sociais.
Conselheiros do Flamengo protestam contra emenda que pode dar mais poderes a Bap — Foto: Reprodução
Embora tenha incluído no texto final sugestões de conselheiros, a emenda é clara ao citar em vários de seus itens a necessidade de veto ou aprovação do presidente do Flamengo, sobretudo nos temas relacionados ao departamento de futebol. As vice-presidências específicas seriam descontinuadas e o clube teria apenas um Conselho Gestor no lugar de um Conselho Diretor, que hoje é presidido por Bap, e abaixo uma diretoria profissional.
O Conselho Gestor será composto pelo presidente e vice-presidente do Flamengo, por um Procurador-Geral e por até 12 membros de livre nomeação do presidente Bap, para um mandato de três anos, escolhidos dentre os sócios das categorias Grande-Benemérito, Benemérito, Emérito ou Proprietário. Segundo o clube, desta forma a concentração de poder ficaria a cargo dos executivos.
"O texto estabelece uma separação mais clara entre governança, supervisão e execução, concentrando a administração cotidiana do Clube em uma Diretoria Profissional, formada por executivos remunerados e selecionados segundo critérios técnicos. Ao mesmo tempo, fortalece o papel dos órgãos de governança na definição das diretrizes estratégicas, na fiscalização e na aprovação das decisões estruturantes", afirma o comunicado do Flamengo.
Menos transparência
Mesmo assim, pelo texto da emenda vê-se que várias situações dependem da palavra final do presidente. Bap tem a prerrogativa de nomear e destituir os membros do novo Conselho Gestor. E os executivos precisam lhe reportar tudo para autorização e mudanças. No primeiro parágrafo do Art.132-C da emenda, está escrito que "A critério exclusivo do Presidente do Flamengo, as Funções da Diretoria do Departamento de Futebol, a ele diretamente subordinadas, poderão ser desdobradas em mais de uma diretoria, para permitir o desenvolvimento especializado da categoria, sendo o Regimento Esportivo de Desenvolvimento, Gestão e Operação do Futebol revisado e aprovado anualmente pelo Presidente do Flamengo".
Dentre as novidades informadas no comunicado do clube estão a criação de Políticas de Governança e instrumentos de planejamento, combinando o orçamento anual com um Plano Estratégico de três anos, uma visão de cinco anos e indicadores de acompanhamento da performance institucional, além de um Portal de Governança e Transparência. Acontece que nos últimos anos o clube retirou de seu site documentos relacionados aos orçamentos e não havia publicado o de 2025 e 2026.
Discussões internas sobre questões financeiras também são omitidas dos conselheiros. Na última semana um sócio Grande Benemérito questionou aspectos do balanço financeiro, se havia problemas de fluxo de caixa e motivos para um possível adiantamento de receitas de patrocinadores. O diretor-geral Paulo Dutra se esquivou, e Bap reclamou dos questionamentos, levantou e saiu da sala durante reunião do Conselho de Administração. No Conselho Deliberativo, o presidente Ricardo Lomba está alinhado a Bap e ao Conselho Diretor, provocando em conselheiros a sensação de que não há um órgão de fiscalização e contraponto. O Conselho Fiscal funciona na mesma frequência, com pareceres alinhados à atual gestão.
Mas a diretoria do Flamengo defende a máxima: quem governa não executa; quem executa não governa. "A principal mudança proposta é fazer com que a profissionalização da operação deixe de depender da decisão de cada presidente e passe a ser uma característica permanente do Flamengo".
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